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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ano Novo

Hoje é segunda-feira e na novela Viver a Vida ainda é noite de reveillon, portanto não sou a única atrasada nesta história. Como não fiquei milionária na megasena da virada, não restou outra alternativa senão pegar a estrada de volta ao Rio e encarar mais uma semana de trabalho. Quanto aos meus planos de ex-futura-milionária comunico que por ora foram adiados.

Neste final de ano também não fiz a minha lista de resoluções para 2010. Até pensei em fazê-la, mas não consegui me concentrar depois das tristes notícias assistidas pela televisão. Faltou inspiração. Fico, então, com a Receita de Ano Novo de Carlos Drummond de Andrade, nosso consagrado poeta.

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

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Esta poesia é parte da correspondência de Drummond a Lázaro Barreto. Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Almoço na Brasserie Rosário

Hoje almocei na Brasserie Rosário, no centro da cidade do Rio de Janeiro, a convite do mui simpático amigo Fernando, que mora em Uberlândia, no Estado de Minas Gerais. Já tinha passado por lá muitas vezes para comprar pão no balcão para levar para casa, mas ainda não havia entrado para fazer uma refeição. Ele deixou ao meu encargo a escolha do lugar, exigindo apenas que o serviço fosse à la carte e tivesse ar condicionado. Lembrei da brasserie e o levei para dar uma olhada no lugar. O serviço era à la carte, mas contrariando o seu pedido não havia ar condicionado. Olhamos da porta e resolvemos entrar assim mesmo. Num ato falho, apresentei o lugar como Brasserie Lipp, que fica em Paris, a centenas de milhas daqui, como diz Djavan na canção A Ilha. Fiquei um pouco sem graça quando me dei conta da minha troca. Fazer o quê? Sabe lá Deus porque eu estava com Paris na cabeça, o que, aliás, e convenhamos, não é uma má idéia!

A conversa fluiu com naturalidade, temperada com elegância sincera e leveza, que eu tanto prezo. Pena que o tempo passou muito rápido deixando no ar a sensação de que ainda tinhamos muito assunto pela frente. No retorno ao trabalho, levei comigo desse encontro a feliz constatação de que a vida realmente tem comigo uma generosa relação de delicadeza e adora me presentear quando eu estou distraída e menos espero.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Uniban, sob pressão, recua

Confesso que ao ler agora de manhã que a Uniban, sob pressão, recuou da decisão de expulsar a aluna da universidade, me fez sentir o doce gosto da reparação após uma injustiça cometida.

Conforme escreveu hoje o jornalista Merval Pereira na sua coluna do jornal O Globo, "a repercussão negativa daquela atitude bárbara de uma turba de estudantes universitários, gritando "estupra" e xingando a colega, tomou conta dos sites de relacionamento e dos blogs, colocando de um lado aquela reação de vândalos representando o lado atrasado e preconceituoso da nossa sociedade, em contraponto ao país moderno que deveria estar sendo criado e incentivado também dentro das universidades."

"O recuo da Universidade Bandeirantes (Uniban), de São Bernardo do Campo, da decisão de expulsar a estudante de turismo Geysi Arruda é o resultado da reação da parte saudável e moderna da nossa sociedade, que já não admite com tanta naturalidade quanto a direção da universidade imaginou que agressões desse tipo sejam realizadas."

"A aluna Geysi Arruda deu entrevistas dizendo que a sua primeira reação foi a de se sentir culpada por tudo o que aconteceu, se sentir "um lixo". É a reação natural de toda pessoa que se transforma, por pressões sociais hipócritas, de vítima em culpada."

"Esses modernos meios de comunicação, como a internet ou o twitter, por serem quase incontroláveis por sua própria natureza, são o tormento tanto de governos quanto de sociedades autoritárias."

É isso aí, minha gente, abaixo a hipocrisia tropical!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

RETRATO ANTIGO


Quem é essa

que me olha

de tão longe,

com olhos que foram meus?
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Helena Kolody


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A justiça tarda, mas não falha

Comecei neste mês de agosto um curso de pós-graduação em Direito Notarial e Registral. Este curso é também preparatório para concurso público de notário e registrador, área em que atuo profissionalmente. Tenho reservado as horas livres, que não são muitas, para estudar. Por essa razão, tem sobrado pouco tempo para me dedicar às minhas tantas outras atividades, que por ora ficarão prejudicadas em detrimento do meu atual projeto. O mais importante é que estou adorando estudar novamente, o que tenho feito com o maior prazer. Ampliar os horizontes é sempre bom em qualquer tempo da vida. Além de unir o útil ao agradável, sinto que estou fazendo algo de muito valioso para mim. Ademais, é muito gratificante ver a expressão de admiração dos meus filhos, que me deram muito incentivo para que eu levasse adiante essa minha iniciativa de retornar à sala de aula.
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Desenho retirado dos arquivos de imagem do google

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Saudade

Ontem acordei com saudade de um tempo da vida que ficou para trás. Saudade de Teresópolis, cidade que nasci e vivi a minha infância. Saudade do tilintar de chaves anuciando a chegada do meu pai em casa. Saudade das histórias que a minha mãe contava na hora de dormir. Saudade das sopas quentes de inverno, do pequeno pomar com árvores frutíferas, que para mim tinha efeito de bosque encantado. Saudade do anoitecer na serra sob o manto do céu estrelado. Saudade dos meus primeiros professores de pintura, Vidocq Casas e professor Amado. Saudade da professora de português, Dona Norma, que escolhia as minhas redações para serem lidas em voz alta na sala de aula. Saudade da Dona Francisca Paracampo e da Dona Dizella, minhas professoras de piano. Saudade, enfim, daquele pequeno mundo, que me fez dar conta que eu tinha uma longa estrada a seguir.

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..." Clarice Lispector

Fotos retiradas dos arquivos de imagem do google e pessoal

domingo, 9 de agosto de 2009

Meu Deus, me dê a coragem

Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude. Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Receba em teus braços o meu pecado de pensar.
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Clarice Lispector
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Foto retirada dos arquivos de imagem do google

segunda-feira, 15 de junho de 2009

TRABALHO, DIETA, EXERCÍCIOS FÍSICOS... E MUITO MAIS!!!

Amanhã começo dieta. Fui ao médico, fiz exames e abasteci a geladeira para viabilizar o sucesso da minha empreitada rumo à boa forma. E haja disposição para perder alguns quilos. Só espero não perder o meu bom humor!

quinta-feira, 4 de junho de 2009


“Com sorte, você atravessa o mundo. Sem sorte não atravessa a rua” (Nelson Rodrigues)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Voltando do trabalho para casa

Conselho de ética e Pão de Açucar:

Um dia ainda hei de conseguir dar um basta na leitura do caderno de política do jornal e acabar de vez com a sensação de náusea que certas notícias provocam. Vou trocar definitivamente a notícia pela paisagem do Pão de Açucar.

O assunto irritante do momento é o jogo de empurra entre deputados, para que alguém se disponibilize a substituir Sergio Moraes (PTB-RS), no cargo de relator do Conselho de Ética do caso Edmar Moreira, depois da declaração do deputado federal e atual relator, de que "está se lixando para a opinião pública". Nenhum deputado quer segurar esta bandeira, pois sabem que não são éticos o suficiente para tal responsabilidade.

Foto: Tirada com a câmera do meu celular

sexta-feira, 8 de maio de 2009

VELEJANDO...

Esperança

"Creio no improvável, pois se acreditarmos só nas probabilidades, estaremos caminhando para o caos.

... Mas o improvável pode acontecer.

Um segundo princípio da esperança: onde cresce o perigo, cresce também o que salva.

E ainda um terceiro: ...no mais profundo da humanidade, no inconsciente trabalham as forças que regeneram, forças que salvam."

É chegado o tempo de responder ao desafio da complexidade planetária. É preciso reconhecer as ambivalências e contradições presentes por toda parte.

Somos chamados a empreender em cada um de nós um grande combate espiritual. O espírito humano traz em si mesmo os piores males, como a incompreensão, a cegueira, a ilusão, a loucura. Mas traz igualmente, a possibilidade de racionalidade, de lucidez, de compreensão, de compaixão."

Edgard Morin