Passei um feriado tranquilo na serra, apesar do calor. A temperatura já não é mais a mesma de tempos atrás, o que é uma pena. Hoje, diferentemente de épocas passadas, faz calor durante o dia e não refresca tanto durante a noite. Dorme-se apenas com um lençol alternando entre cobrir-se e descobrir-se durante a madrugada, mas ainda assim a temperatura serrana é um pouco mais amena do que na cidade do Rio de Janeiro.
No sábado apareceu no portão da casa uma viralata visivelmente faminta e necessitada de cuidados. Demos a ela comida e água, e no domingo de manhã fui pessoalmente levar ração para a coitada. A bichinha me olhou com olhos fundos e carentes. Ficou resolvido que enquanto permanecer ali, lhe será oferecido água e comida, até que alguém se apiede dela e resolva levá-la para casa.
À noite, de volta ao Rio e no conforto do meu quarto, lembrei do jeito que a viralata olhou para mim. E pensar que muitas vezes evitamos olhar nos olhos de um menino de rua por não termos coragem de encarar a triste realidade do abandono. Talvez porque ao nos defrontrarmos com um olhar vazio e pedinte, seja quase inevitável não nos defrontamos com as nossas próprias carências e misérias interiores.Torço para que a cadelinha abandonada não arrede pé do portão da casa até o fim da semana que vem, porque com certeza se permanecer por lá, acabará sendo convidada para entrar. E assim ela vai ficando, ficando, ficando...











